Editorial

Pelotas alagou e você também tem culpa

13 de Setembro de 2017 - 15h34 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A chuva que começou no final da tarde de terça-feira, parou e retornou forte ao longo de ontem voltou a revelar um dos principais problemas da cidade: a dificuldade do sistema de escoamento em dar vazão à água nos bairros. Um problema crônico de Pelotas.

Encontrar culpados pelos alagamentos é fácil, principalmente sendo cidadão. O mais difícil, porém, é assumir que boa parte desse drama tem como origem os maus hábitos. O lixo que boia na correnteza e o material que se acumula nas bocas de lobo são as principais provas da falta de conscientização dos moradores.

Na rua Andrade Neves, por exemplo, próximo ao parque Dom Antonio Záttera, placas de isopor descartadas por uma residência pararam ontem pela manhã dentro do bueiro, enquanto as esquinas daquele trecho estavam totalmente alagadas.

Na rua Gonçalves Chaves, quadra da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), entre 13h e 13h30min, latinhas de alumínio boiavam na correnteza que avançou e obrigou os veículos a subirem nas calçadas, num pequeno caos do trânsito.

Situações típicas da Pelotas em dias de chuva, registradas em todos os cantos, quando o lixo vem à tona e revela a falta de compromisso da população com o local onde vivem quase 350 mil habitantes.

Em uma das últimas ações de limpeza da prefeitura, as equipes da Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura (SSUI) lotaram nada menos do que 112 caçambas com sujeira amontoada em via pública. Foram recolhidas dezenas de cargas nas Três Vendas, no Laranjal, no Areal e na Estrada do Engenho, região do Porto.

Nos depoimentos dos moradores preocupados com a cidade é comum ouvir a mesma queixa: estão cansados de tentar "lutar" contra aqueles que insistem em jogar lixo na rua, a qualquer hora do dia ou da noite. E por incrível que pareça, muitos deslocam-se de seus bairros para se livrar de resíduos em outras áreas.

É claro que a prefeitura também precisa cumprir a sua parte, mantendo o sistema de escoamento limpo, livre de material que obstrua a drenagem. Mas a luta é quase sempre desigual. As toneladas de lixo retiradas hoje retornam facilmente em poucos dias. Até a chuva mostrar o quanto somos culpados pela água próxima dos joelhos.


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