Artigo

Os amores de nossas vidas e a vida de nossos amores

15 de Novembro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Nery Porto Fabres, professor

Quando prestamos a atenção em outro ser humano de forma especial, somos interpelados por um sentimento que brota da alma, e falar sobre essa emoção é como tentar contar quantos cristais existem nas areias que circundam as águas do mar. Esta forma de sentir o arrepio da alma chama-se amor. E os amores de nossas vidas nos fazem um carinho no coração, são traços marcados por conexões cerebrais que se estendem por dentro de nossa corrente sanguínea. Logo, amar é saudável.

Contudo, se os amores de nossas vidas nos pregam as surpresas do abandono precoce, este sentimento dilacera nosso cérebro, destrói nosso equilíbrio e enfraquece a nossa fé. E, se as vidas de nossos amores mínguam dia a dia e perdem o poder da respiração, deixa-se brotar o desespero e a escuridão nos faz perder dos caminhos planejados.

E, deixar partir um filho, que nutri-se o mais perfeito amor, é como rasgar a alma e jogar para cima os seus pedaços. No entanto quando a dor machuca e desgasta o ar do peito, nos resta os amigos para com seus amores buscarem cada pedaço da alma e juntá-los em miúdas partes com o cuidado de prender cada ponta com a segurança da compaixão, do carinho e da disponibilidade de seus tempos para um abraço e um afago.
Por tal engenharia deste universo incompreendido por todos os humanos, ainda aprendemos com o olhar atento, que o amor é algo maior, transcende este plano terrestre e avança ao infinito.

Que, então, deixemo-nos levar pela correnteza da vida e, permitimo-nos, que as forças que nos carregam para o desconhecido busquem nossos filhos, nossos amantes, nossos pais. Não podemos negar a vontade alheia a nossa compreensão. Dói no coração, na carne, na alma. Arrasa nossa fé. Mas, tudo tem uma explicação, mesmo que a nossa insignificante capacidade de entendimento não alcance a compreensão.

Assim, sofro a perda de meu querido filho, de meu amigo de debates filosóficos, de meu camarada, aquele que, nas mesas do Café Aquários, ou nos cafés dos shoppings mostrava-me a alegria de prosear com um filho criado nas prateleiras dos livros. Que Deus o leve filhão, para os lugares que estão os bons homens do discurso, que junte-se a todos os intelectuais que partiram para lhe aguardar e reservar um bom lugar entre eles.

Ricardo Rojas Fabres, ainda seu nome ecoará nos corredores das universidades, e seus escritos serão citados em grandes obras. Parta com fé de um reencontro em breve, e que a paz reine no seio de sua comunidade acadêmica. Estejas certo de que o dia 13 de novembro de 2017 será marcado como o dia do nascimento de mais uma estrela no céu.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados