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Mais justo. Menos brilho

15 de Novembro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Marcelo Bertholdi Oxley, jornalista colaborador

Não podemos negar: o futebol também precisou se adaptar com o impacto da modernidade. Cresceu, vende mais e gira valores relevantes ao mercado da "bola" e mundial. Na verdade este esporte é capaz de parar um país por algum tempo.

Hoje, alguns grandes times pagam salários absurdos para que um jogador vista a camisa do seu time. Por outro lado, numa jogada magnífica de marketing, conseguem reaver o valor investido em questão de meses.
A meu ver, o futebol ficou mais chato, burocrático, com limites demasiados e sem originalidade. Muito, pelo excesso de "informação" que há numa partida. Câmeras espalhadas por todo o campo, chip eletrônico, árbitros auxiliares e logo mais, juiz tendo o auxílio de uma câmera para definir um lance em questão de segundos, minutos.

O Campeonato Brasileiro, também vem sofrendo com diversas alterações. A partir de 2003, primeiro ano disputado por pontos corridos, os processos de quartas de final, semifinal e final foram extintos.
É correto afirmar que o justo, então, se sobressaiu. Vence aquela equipe que for mais completa, regular. Porém, os famosos jogos de "ida e volta" não acontecem mais. Além disto, parece não haver ânimo para prosseguir numa competição, que já está praticamente decidida. Nesta temporada, por exemplo, o Corinthians atingiu 68 pontos abrindo dez pontos, do segundo colocado. Ou seja, se vencer na 35° rodada, já será o campeão. Logo, não haverá o que fazer com o restante do campeonato. Cabe ressaltar que este mesmo time perdeu alguns pontos valiosos no returno, assim, tardando o seu título e por sorte, dando um pouco mais de vida à competição.

Em 2002, último ano do sistema "mata-mata", o São Paulo classificou-se em primeiro lugar, com 13 pontos à frente do Santos, oitavo colocado. Mesmo com a desvantagem, o time santista vencera os dois confrontos e logo mais tarde sagrou-se campeão, contra outra equipe paulista, o Corinthians. Neste caso possivelmente tenha faltado "justiça", mas se analisarmos tais circunstâncias, nos jogos decisivos, cidades foram se programando, torcedores arrecadando dinheiro para o ingresso, jogadores sonhando "por um único jogo" e tínhamos ainda uma certeza: o campeonato seria decidido na última partida. Este contexto deixou uma grande lacuna, pois tínhamos estádios lotados desde os primeiros jogos das quartas de final.

Vence quem merece! Mas o brilho, definitivamente, não é o mesmo.

 


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