Editorial

A inflação mostra suas asas

10 de Janeiro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

No primeiro minuto de 2017 o pedágio no Polo Pelotas teve reajuste. Dias depois vieram os anúncios de aumento do óleo diesel e da conta telefônica. A cada três dias do novo ano, uma notícia de atualização - para cima - de serviços que todos os cidadãos utilizam e sentem o impacto, direta ou indiretamente.

Não há como negar que os reajustes voltaram a atormentar a vida do brasileiro. Dos mais velhos aos mais novos, os hábitos mudaram para adaptar o bolso à realidade econômica. Viagens, ranchos nos supermercados, saídas aos finais de semana, almoços nos restaurantes, passeios de carro, compras. Tudo passou a ser revisto e, também, cortado.

O governo federal esforça-se para dar boas notícias e a estimular os brasileiros a acreditarem que 2017 será diferente. Fica difícil, porém, dar um voto de confiança quando a inflação bate com força à porta.

Nem mesmo as notas da 203ª Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil colaboram. A cada linha de projeção, dúvidas e receios para os próximos meses. Confira algumas:

- “A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.”

- “Após os recuos dos indicadores de atividade econômica relativos a agosto, a ausência de uma reversão nos meses seguintes torna menos provável o cenário em que esses movimentos refletiriam oscilações naturais da atividade econômica em torno de momentos de estabilização. Aumenta, portanto, a probabilidade de que a retomada da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada previamente.”

Na ata consta, entretanto, um tópico para acompanhar, como a última cartada aos próximos 12 meses: “A inflação recente mostrou-se mais favorável que o esperado, em parte em decorrência da reversão da alta de preços de alimentos, mas também com sinais de desinflação mais difundida. Esses resultados contribuíram para um recuo das expectativas apuradas pela pesquisa Focus para a inflação medida pelo IPCA 2, para o ano corrente, que se situam em torno de 6,7%. As expectativas de inflação apuradas pela mesma pesquisa para 2017 recuaram para em torno de 4,9%”.

É acreditar e torcer.


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