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Veneno falado e escrito

12 de Janeiro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Henrique Dornelles,
presidente da Federarroz

Periodicamente, o trabalho dos agricultores convencionais é avaliado, criticado e condenado. Estatísticas e dados são lançados à mídia, sem aprofundamentos ou análises críticas. Há ONGs e fóruns, inclusive com presença de órgãos públicos, trabalhando em campanha denominada “contra o agrotóxico”. Mas independentemente do “grupo intelectual”, nenhum faz reflexão, menção ou considera os avanços conservacionistas, a segurança alimentar e, principalmente, o acesso à “comida barata” que a atual agricultura proporcionou nos últimos anos.

Recentemente a mídia bombardeou espectadores com afirmações de que os brasileiros estavam consumindo determinada quantidade de “veneno”, como se todo o defensivo agrícola estivesse presente no produto final.

Ocorre que o princípio ativo mais utilizado na agricultura tropical, o Glifosato, isolado maior volume, é empregado no preestabelecimento das culturas ou fase inicial. Portanto, se utilizado conforme recomendação, não estará disponível ao consumidor. Também o Brasil possui reconhecido sistema, complexo e restritivo, para autorização de fórmulas. Produtos legalizados dispõem de regramento de utilização, para garantir sua total degradação antes do consumo. Agroquímicos mal empregados, além de elevar custo, são realmente “venenos”, assim como qualquer “remédio”.

Existem dossiês utilizando imagem de avião agrícola, como se arma de extermínio fosse. Entretanto, essa permite aplicações reduzidas de princípio ativo pelo aproveitamento das condições meteorológicas e tempo.

Não fosse a aviação, a segurança alimentar brasileira estaria em risco, principalmente o arroz irrigado gaúcho, responsável por 70% da produção brasileira.

Caso emblemático do arroz, no Brasil há restrições a vários princípios ativos, de menor custo. Entretanto, brasileiros consomem produto de outros países sem a obrigatória identificação. Denunciar ou criticar a irresponsabilidade de poucos, quando do emprego indevido de agroquímicos, é salutar. Pautar um setor do tamanho e importância do agronegócio brasileiro é irresponsável. Na minha infância, lembro-me de meu pai não permitir banho em determinados córregos ou mesmo entrar na lavoura, em função do emprego de defensivos altamente tóxicos. Hoje, tenho segurança em permitir um belo mergulho na sanga com meus filhos.


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