Editorial

Na praia, de olho no céu

12 de Janeiro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O Brasil é o líder mundial na incidência de mortes por raios. Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe) aponta que em 15 anos, a partir de 2000, foram registradas no país 1.894 mortes provocadas pelo fenômeno climático. Uma boa parte delas no verão. Os dados do ano passado ainda estão sendo fechados e devem apontar de 70 a 75 casos, quase um por dia no trimestre.

O alerta ganha força nessa época do ano porque concentra um maior número de pessoas no litoral brasileiro, banhistas à procura de lazer à beira-mar. Justamente regiões atingidas de forma muito rápida por chuvas e tempestades que não costumam avisar da chegada.

Por isso o início do verão é apontado como época de muitos riscos, reforça o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, especialmente entre a última semana de dezembro e a primeira quinzena de janeiro.

Para o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe), Osmar Pinto Júnior, o período é crítico por causa das férias e do relaxamento dos frequentadores das praias. São milhares de pessoas se deslocando ao litoral, que são lugares descampados e, portanto, vulneráveis a descargas.

Pinto Júnior afirma que o banhista acaba se expondo às tempestades. Se estiver dentro do mar, a situação torna-se ainda mais crítica porque a água salgada é ótima condutora de eletricidade. Assim, os efeitos de um raio podem se propagar para muito longe.

O caso mais recente aconteceu domingo passado em Itanhaém (SP). A turista Aline Caroline de Campos foi atingida por um raio no litoral paulista e recupera-se em um hospital de Guarulhos.

Quando uma tempestade se aproxima, orienta o coordenador, as pessoas precisam ficar atentas. Segundo ele, próximo ao mar, em apenas cinco minutos a situação pode mudar por completo. Ao ver um indício de tempo fechado, o indicado é buscar abrigo em um carro ou em um prédio imediatamente. “Não pode esperar. Dois ou três minutos são a diferença entre ser atingido ou não”, alerta o especialista.

Monitorado pelo Elat de Natal (RN) até o Chuí (RS), o litoral brasileiro concentra a maior incidência de raios na região Sudeste.


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