Editorial

Pelotas agora tem concorrência da gasolina

20 de Março de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O que acontece em Pelotas atualmente é algo raro. Encontrar uma diferença de R$ 0,29 no preço do litro da gasolina, como se vê em outros grandes centros, por aqui nunca passou de um sonho dos consumidores. A padronização dos preços sempre vigorou na cidade, com diferenças mínimas entre um estabelecimento e outro, que praticamente não caracterizavam concorrência.

Vale lembrar o ano de 2015, quando o Procon do Rio Grande do Sul (Procon/RS) passou a investir na fiscalização desse ramo comercial. Em junho daquele ano, 15 postos já haviam formalizado defesas sobre os indícios de formação de cartel, de um total de 24 questionados pelo órgão. Os documentos foram entregues ao Ministério Público do Estado.

Conforme divulgou o Diário Popular, uma pesquisa do Procon de Pelotas, realizada em março de 2015, apontou a semelhança de preços - e até mesmo igualdade nos valores - nos estabelecimentos locais. Em reportagem publicada pelo Jornal um mês depois, o Diário Popular mostrou ainda a escassez de concorrência. De todos os postos, 18 praticavam o valor de R$ 3,49 por litro da gasolina comum.

Ouvido pelo DP, o então coordenador do Procon local, Jardel Oliveira, afirmou que 12 das abastecedoras pelotenses eram alvo de investigação, já que apresentavam tarifários semelhantes. Preços de cidades vizinhas serviram como parâmetro às investigações. De acordo com o órgão, apesar dos combustíveis serem provenientes, na maioria dos locais, da mesa distribuidora, municípios como Camaquã e Santa Vitória do Palmar aplicavam preços bem menores.

Dois anos depois, a realidade é outra e os clientes passaram a encontrar vantagens entre uma empresa e outra. E R$ 0,29, diga-se, faz diferença na hora de abastecer. A cada cinco litros que entram no tanque, o consumidor ganha mais de R$ 1,00. Se abastecer 50 litros, poderá economizar quase R$ 15,00 em relação a outros postos.

Os motivos dessa mudança ainda estão sendo interpretados pelos motoristas, que comemoram o fato de poderem escolher quem vende por menos, como sempre aconteceu em outros segmentos do mercado, menos no de combustíveis e derivados. Um estranho cenário que se alterou nos últimos anos, depois que o Procon entrou em cena e cobrou respostas.

Os clientes torcem agora para que a disputa "contamine" outros postos e a prática se popularize em todos os bairros. Ao consumidor cabe "pressionar" as empresas para que pratiquem a concorrência. Todos ganhariam.

 


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