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O velho Schl e algo sobre sua descendência

20 de Março de 2017 - 08h19 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Paulo Luiz Rosa Sousa - Hospital Espírita, Caps Porto e Ambulatório Saúde Mental

O objeto da investigação provém da Baixa Baviera, século 18, local e época em que A.B.N. Schl, ourives sênior da região, marcou lugar pela autonomia e inovação em assuntos socioculturais. O apoio econômico e científico à pesquisa esteve aos cuidados do Instituto de Investigações Idiopáticas do Piratini Interior, IIIPI, cujos primeiros resultados vêm agora à luz.

Do ponto de vista prosódico, o sobrenome Schl, considerado por alguns como impronunciável, mostrou variações sonoras segundo as diferentes regiões da Baviera: ao norte o acento recaía sobre o SC inicial, ao sul, sobre o L final, ao centro, sobre o H fortemente aspirado. Mais importante que isso, entretanto, a posição política do Velho Schl é que se mostrou pouco palatável para o poder local conservador, o que obrigou o astuto pensador e ourives a pôr o pé na estrada, preservando, assim, sua púnica vida. América do Sul, o destino, região do Prata, o local, fronteira Brasil-Uruguai, o ponto final.

Bom trânsito entre as meninas, Schl caiu-se de amores pelas barrancas do rio Jaguarão e foi, por ali, estabelecendo raízes, negócios, espaços, descendentes.

Três gerações além, um dos subsequentes, mais afeito às letras e às imagens ficcionais, deu-se por modificar o nome que por herança lhe coubera, coisa rara nestes pagos, mas comum na zona europeia de origem. Queria tornar mais sonoro e menos germânico o sobrenome, sem, contudo, apagar as raízes do velho patriarca. Propôs em cartório, guardados os recursos legais, que o último nome tivesse um acréscimo de três Es - Schleee - coisa que assim conseguiu até que a prudência, a discrição e o equilíbrio da família Rosenthal, de quem o referido se aproximara, fizesse reconhecer o exagero da vogal. Exegetas da região, à época, identificaram que a pletora de Es era mesmo um sinal de folgado, de irônico, de gozador do requerente. Sem maiores corcoveios, acedeu o mesmo à recomendação amorosa, está bem, dois Es apenas. E assim marcou época e, como o velho bisavô, deixou também descendentes, hoje espalhados por aí.

O IIIPI enviou nota de recusa à ofensa de detratores, de que a sigla nada mais é do que a onomatopeia de uma gineteada e, reiterando o valor científico do Instituto, informa que a última etapa da pesquisa dar-se-á no decorrer do ano, com a participação pessoal do descendente criativo. Aguardam-se desdobramentos.


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