Patrimônio
Troca da cobertura da Capela da Beneficência está em fase final
A segunda etapa do restauro do espaço de cultura e adoração deve começar em julho
Carlos Queiroz -
Está em fase final a reforma da cobertura da Capela Cultural da Beneficência Portuguesa, em Pelotas. Atualmente se encaminhando para a segunda etapa, o restauro completo deste patrimônio pelotense deve ser concluído em aproximadamente cinco anos. Um espaço que, após entregue, será utilizado para a promoção da cultura no município.
Iniciada no final de agosto do ano passado, a troca dos 340 metros quadrados das telhas que eram de fibrocimento para o modelo capa canal natural portuguesa, deixou a edificação com traços externos mais próximos de sua originalidade. A engenheira responsável pelas intervenções, Michele Zehetmeyer, conta que também foi feita a substituição do madeiramento que se encontrava em péssimas condições. Com um prazo de dez meses para realização, o trabalho será concluído antes e encontra-se no período de arremates. Situação que recebeu a contribuição do tempo firme, sem chuvas.
Com um custo de R$ 595.777,15, os reparos no telhado contam com o patrocínio da Josapar Alimentos e o financiamento é feito através do Sistema Pró-Cultura LIC (Lei de Incentivo à Cultura) do Rio Grande do Sul.
Obras avançam
O Conselho Estadual de Cultura do Estado aprovou, no começo deste mês, o projeto de execução da segunda fase das obras, que consiste no restauro da semicúpula localizada no altar da capela. A expectativa é de que os trabalhos nesta etapa iniciem até julho e tenham duração de 12 meses com o reforço da estrutura e a substituição do material por madeiras mais leves. Mantendo, sempre, os traços e desenhos originais.
O investimento necessário é de R$ 699,530,46. A produtora cultural Josiele Castro diz que atualmente aguarda o retorno de patrocinadores sobre a destinação de recursos. A estimativa é de que sejam necessárias, no máximo, cinco fases até a conclusão dos trabalhos. “Nós formalizamos aqui, como um espaço cultural de interesse público. Queremos que seja um lugar não somente para católicos, mas também para quem pretende assistir a um espetáculo, a uma apresentação musical”, comenta Josiele.
Ela já adianta que, ao final da segunda fase, haverá uma apresentação cênica realizada por artistas e técnicos de Pelotas de um dos sermões do Padre Jesuíta Antônio Vieira. O objetivo é mostrar ao público a pluralidade de formas que um espaço consagrado e em recuperação pode ter.
A busca do passado para as futuras gerações
Em paralelo com as obras no prédio erguido em 1892, restauradores estão realizando uma pesquisa sobre a história da edificação, com a abertura de janelas de prospecção. A técnica consiste na escolha de partes estratégicas do prédio que possam haver possíveis traços originais, como explica uma das responsáveis pela tarefa, Flávia Faro.
Outra profissional envolvida no restauro é Isabel Torino, que mostrou à reportagem do Diário Popular alguns pontos já trabalhados, como as paredes, em que foram identificados tons de cores em amarelo e verde. A diferença leva a acreditar que havia uma pintura decorativa no prédio. Outra descoberta foi nos pilares de sustentação, em que nos rodapés foi encontrado um “fingimento” de pedra. Flávia explica que, na época, a colocação de pedra de mármore possuía um alto custo e, por isso, era feita uma pintura semelhante.
Todo o trabalho está sendo filmado e ao final será apresentado um vídeo documental que visa à educação patrimonial da comunidade. As restauradoras pedem o apoio de famílias que tenham fotos de batizados, casamentos ou eventos realizados no local entre o final do século 19 e o início do século 20, para auxiliar com referências de como era o espaço originalmente. Interessados em ajudar podem entrar em contato com Flávia Faro, pelo telefone (53) 98115-3590.
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