Seca

Municípios da região acumulam prejuízos com a estiagem

Cristal, Amaral Ferrador, Pedras Altas e Morro Redondo já decretaram situação de emergência; prognóstico de chuvas abaixo da média preocupa

Gabriel Huth -

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O produtor Ildomar Milech, 48, se desanima com a falta de chuvas nas lavouras de milho (Foto: Gabriel Huth - Especial - DP)

A estiagem que afeta o Rio Grande do Sul espalha cada vez mais prejuízos e angústia na região. Quatro municípios já decretaram situação de emergência. As comunidades de Cristal, Amaral Ferrador, Pedras Altas e Morro Redondo sofrem com cacimbas e açudes secos, alimentação escassa para o gado e quebra nas lavouras. As perdas até a última quinta-feira ultrapassavam os R$ 67 milhões. Na Campanha, o município de Bagé começa esta semana com 12 horas de racionamento de água.

E o pior: os rastros de preocupação - no campo e na cidade - tendem a crescer. A estiagem deve se agravar entre fevereiro e março, com chuvas abaixo da média climatológica e poucos dias com instabilidade. Quem afirma é a meteorologista da Metsul, Estael Sias. "A chuva não vem em quantidade suficiente para reverter este quadro nas próximas semanas e, pelo menos, até meados do outono ainda teremos influência do fenômeno climático La Niña".

É um prognóstico que amplia o alerta para consequências que serão sentidas nos próximos meses. A explicação é do técnico do escritório da Emater em Morro Redondo, Celomar Mauch. Culturas de clima temperado, como o pêssego, a ameixa e a pêra, tendem a sofrer reflexos na próxima safra, com as fases que estão por vir de floração e de frutificação ameaçadas - projeta o engenheiro agrônomo.

Na pecuária leiteira, a estiagem também deverá provocar perdas, para além das quedas na produção que já tiram o sono dos produtores. "Com o animal enfraquecido, depauperado, atrasa o cio e todo o ciclo da produção acaba sendo afetado", ressalta Mauch. São prejuízos que ainda irão doer no bolso.

A todo o momento, novos chamados
Até agora, pelo menos 160 famílias integram a lista da Defesa Civil de Morro Redondo entre os atingidos pela estiagem. Na quinta-feira (1º) pela manhã, quando o Diário Popular visitou o município, surgiam novos chamados com o mesmo apelo: água potável. Enquanto isso, um caminhão com uma cisterna móvel com capacidade para quatro mil litros procura amenizar o desabastecimento.

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Em Morro Redondo, cisterna móvel tem auxiliado a amenizar a escassez de água nas comunidades (Foto: Gabriel Huth - Especial - DP)

"Estamos esperando a liberação de um caminhão-pipa da Corsan ou do Exército porque desta forma não conseguimos atender mais de dez ou 12 famílias por dia. Por esse sistema, levamos três horas para reabastecer o caminhão", lamenta o coordenador municipal da Defesa Civil, Rodrigo Eslabão. "É uma situação precária". E os desabafos vêm de todos os lados: Colorado, São Pedro, Reserva, Açoita Cavalo e Rincão da Caneleira estão entre as localidades mais castigadas pela falta de chuvas.

O produtor de leite Ildomar Milech, 48, vê com desânimo as pastagens queimarem e a lavoura de milho cultivada para silagem não desenvolver. "Essa aqui já tá perdida. Nem se chovesse nos próximos dias conseguiria salvar". Em busca de água para o gado, Milech tem improvisado a abertura de represas e de fontes com o uso de trator. A vertente transformada em bebedouro também já secou. E a escassez pode ser medida na queda de produção. Atualmente, uma média de 350 litros de leite é recolhida a cada dois dias. Antes, o total oscilava entre 450 e 500 litros. "Não lembro de uma estiagem tão ruim quanto esta nos últimos anos".

Folhas secas e mudas mortas
O aposentado José Ari Rodrigues Corrêa, 67, anda na volta de casa e não falta o que mostrar. Infelizmente. Pêras rachando, limões minguados, uma muda de laranjeira morta, um pé de chuchu resumido a folhas secadas e esfareladas. "A gente tá economizando como dá, mas tá muito difícil", conta, enquanto o caminhão traz a água que irá garantir o consumo da família nos próximos dias.

A situação nos municípios que já decretaram emergência na região

Amaral Ferrador
- População: 6.355 habitantes - 86% atingidos
- Prejuízos: R$ 17.221.050,00 (agricultura) R$ 407.050,00 (pecuária)

Cristal
- População: 7.280 - 19,01% atingidos
- Prejuízos: R$ 12.180.750,00 (agricultura) R$ 244.000,00 (pecuária)

Morro Redondo
- População: 6.231 - 10,78%
- Prejuízos: R$ 3.354.800,00 (agricultura) R$ 1.600.000,00 (pecuária)

Pedras Altas
- População: 2.218 - 12,03%
- Prejuízos: R$ 31.797.000,00 (agricultura) R$ 598.745,55 (pecuária)

Algumas medidas que podem sair do papel

- Renegociação de empréstimos e dívidas
- Kit de irrigação
- Cisternas e caixas d´água
- Alimentação para os animais
- Abertura de açudes
- Uso de maquinário

Entenda melhor: Os tipos de ações que serão desencadeadas, primeiro, dependem de os decretos de situação de emergência serem homologados pelo governo do Estado e reconhecidos pela União. Vencidas estas duas etapas, que requerem dados detalhados, os próprios municípios definem seus planos de trabalho para recuperação dos prejuízos e fazem as solicitações dos materiais necessários, com base nos relatórios apresentados à própria Defesa Civil do Estado - explica o coordenador regional, sargento João Carlos Domingues.

Mais municípios em crise: Pelo menos mais quatro municípios da área de cobertura da Regional 4 da Defesa Civil devem decretar situação de emergência nos próximos dias: Canguçu, Turuçu, Arroio do Padre e Chuvisca.

Começa o racionamento em Bagé
A semana começa com rodízio de abastecimento e a cidade dividida em dois setores. Cada um deles receberá água 12 horas por dia. A medida será adotada, mais uma vez em Bagé, já que a Barragem da Sanga Rasa está 4,7 metros abaixo do nível normal e a Barragem do Piraí está 1,5 metro aquém da normalidade.

Dados da Estação de Tratamento de Água (ETA) apontam que em janeiro choveram apenas 50,5 milímetros; 46% da média histórica. Desperdícios, como lavagem de carros e calçadas, devem ser evitados. A equipe do Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb) estará de prontidão para esclarecer dúvidas sobre a escala de abastecimento através da Central de Serviços, pelos telefones 115 e 0800-5102219. Confira:

Setor 1: Zona Oeste
Horário com abastecimento: 3h às 15h
Bairros: Centro, Madezatti, São Martins, Vila Brum, Arvorezinha, Vila Damé, Camilo Gomes, Parque Silveira Martins, Hidráulica, Popular, Narciso Suñe, Tarumã, Tupã, Stand, Vila Militar, Vila Brasil, Alcides Almeida, Mingote Paiva, Santa Cecília, Menino Deus, Floresta, Santa Carmem, Ibajé, Vila Gaúcha, Mascarenhas e arredores.

Setor 2: Zona Leste
Horário com abastecimento: 15h às 3h
Bairros: Getúlio Vargas, Loteamento São Pedro, Jardim do Castelo, São Bernardo, Santa Tecla, Loteamento Severo, Malafaia, Daer, Ivo Ferronato, Castro Alves, Dois Irmãos, Estrela Dalva, Ivone, Dolores, Vila Goulart, Passo das Pedras, Tiarajú, Arco, São Judas, Vila Ipiranga, Santa Tereza, Pedra Branca, Bairro Bonito, Vila dos Anjos, Santa Flora, Habitar Brasil, Morgado Rosa, Dona França, Loteamento Prado Velho, Adão Pedra e arredores.

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